04/06/14

Apresentação do livro de Manuel A. Araújo

Aos meninos as mães não pareciam mães por causa do nome mágico que sussurravam quando a avistavam, vinda não se sabe de onde, ao fundo da rua escura.

Pegavam nas crianças ou chamavam-nas das soleiras das portas numa urgência que as fascinava e não compreendiam.

Num arrastar de ossos espetados na pele ressequida, ela vinha caminhando inexoravelmente, deixando atrás de si uma auréola de fantasma.

A meio da rua escura pousou o saco de lona para descansar e limpar o suor que lhe escorria das axilas e lhe pingava do nariz adunco. Os negrilhos tapavam o céu e punham em toda a praça uma sombra fresca, motivo que levava os cães da aldeia a esbarrigarem-se de línguas dependuradas, numa baba de prazer.

Era um agosto sobrenatural (In Chiado Editora).

Amanhã, 5 de junho, às 18.30h, na Biblioteca Municipal.
Está convidado!

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